TEMPERATURA CORPORAL
A temperatura do interior do corpo (temperatura central) permanece quase constante, dentro de uma variação de mais ou menos 0,6º C, mesmo quando exposto a extremos de frio ou calor, graças ao aparelho termorregulador.
A temperatura corporal obedece a um ritmo circadiano, atingindo o seu máximo durante o anoitecer entre 18 e 22 horas e a sua maior baixa no início da manhã entre 2 e 4 horas.
Os valores térmicos estão aumentados em certas condições, tais como refeições, exercícios intensos, gravidez ou ovulação.
Regulação da temperatura corporal
A manutenção da temperatura corporal é resultado do equilíbrio entre a produção do calor (combustão de alimentos, fígado e músculos) e a perda calórica.
O calor gerado no interior do organismo chega à superfície corporal através dos vasos sangüíneos que formam o plexo vascular subcutâneo, mas pouco calor se difunde para a superfície, graças ao efeito isolante do tecido adiposo.
O fluxo sanguíneo para a pele representa até 30% do débito cardíaco total. A condução do calor para a pele é controlada pelo grau de constrição das arteríolas e das anastomoses arteriovenosas (sistema nervoso simpático), sendo que ao chegar na superfície, o calor é transferido do sangue para o meio externo, através de: irradiação (60%), evaporação (22%), convecção (15%) e condução (3%).
Termostato hipotalâmico: Os estímulos que atingem os receptores periféricos são transmitidos ao hipotálamo posterior, onde são integrados com os sinais dos receptores pré-ópticos para calor, originando impulsos eferentes no sentido de produzir ou conservar o calor (vasoconstrição na pele, piloereção, produção de hormônios como a tiroxina, e os tremores musculares) ou perder calor (estimulação de glândulas sudoríparas e vasodilatação dos vasos cutâneos).
Locais de verificação da temperatura e Valores normais
Ainda há bastante polêmica quanto ao local ideal para se fazer a mensuração; pode ser: axilar, oral, retal, timpânico, esofágico, nasofaringiano e vesical.
Temperatura axilar: 35,5 a 37ºC, com média de 36 a 36,5ºC
Temperatura bucal: 36 a 37,4ºC
Temperatura retal: 36 a 37,5, isto é, 0,5ºC maior que a axilar
Sinal de Lenander: temperatura retal ultrapassa a axilar em 1ºC, como nas pelviperitonites.
FEBRE
Significa elevação da temperatura corporal como resultado de uma elevação do ponto de ajuste do termostato hipotalâmico.
A elevação do ponto de regulação térmica desencadeia uma série de mecanismos destinados a aumentar a temperatura corporal central (tremores, vasoconstrição, aumento do metabolismo celular, etc.) de forma a atingir o novo equilíbrio.
Pode ser causada por distúrbios no próprio cérebro ou por substâncias tóxicas que influenciam os centros termorreguladores chamadas pirogênios endógenos (IL-1, TNF, IL-6, IL-2, etc) e exógenos (bactérias, vírus, lipopolissacarídeos, etc). Os pirogênios endógenos agem no SNC, estimulando a produção de prostaglandinas (PGE2), que irá atuar no hipotálamo, desencadeando a reação febril.
- Ação da aspirina, paracetamol e dipirona na redução da febre
Hipertermia
Elevação da temperatura corporal acima do ponto de regulação térmica, mais freqüentemente secundária à ineficiência dos mecanismos de dissipação do calor ou, menos freqüentemente, por produção excessiva de calor com dissipação compensatória insuficiente. Não responde aos antipiréticos comuns.
Exemplo: intermação (temperaturas ambientais extremamente altas ou decorrente de esforços).
HIPOTERMIA
Diminuição da temperatura corporal abaixo de 35,5ºC na região axilar ou de 36ºC no reto, associada a condições que diminuem a produção de calor ou aumentam a sua perda.
Hipotermia leve: 32 a 35ºC
Hipotermia moderada: 30 a 32ºC
Hipotermia grave: abaixo de 30ºC
Fatores predisponentes para o aparecimento de hipotermia
Fatores pessoais
· Roupa inadequada
· Roupa molhada
· Extremos de idade (recém-nascido, idoso)
· Alteração do estado de consciência
· Debilidade e exaustão
· Imobilidade
Drogas
· Álcool
· Anestésicos
· Antitiroideus
· Narcóticos
· Sedativos/hipnóticos
· Hipoglicemiantes
Estado de saúde
· Alcoolismo
· Queimaduras graves
· Insuficiência cardíaca
· Demência
· Lesões do SNC
· Secção transversal da medula espinhal
· Encefalopatia
· Diabetes ou hipoglicemia
· Malnutrição
· Mixedema (hipotireoidismo)
· Hipopituitarismo
· Insuficiência supra-renal
· Choque